domingo, 24 de agosto de 2014

Capítulo 2 - ADRENALINE


-Você não é o único Cameron no mundo, seja mais específico. –falo receosa ainda com o celular na mão-
-Cameron, Cameron Dallas, filho do Christopher. –ele diz rindo da minha cara de medo e susto.
Sinto meus músculos relaxarem. -Ah meu Deus, por que você não disse antes?- disse com a mão no coração tentando acalmar meus batimentos-
-Tecnicamente eu disse. –ele disse debochado, descendo da bancada, me fazendo ver ele de corpo inteiro, não pude deixar de reparar, que corpo hein. –Gosta do que vê? –ele aponta pro próprio tórax e diz com uma cara maliciosa.
-Pra falar a verdade sim.. –dou uma pausa e ele ri-Ótima combinação de jaqueta mais camisa! –digo irônica e ele revira os olhos, já vi que por mais curta que seja a permanência desse guri aqui, nós não vamos dar certo. –Vem, me ajuda aqui, tem um monte de sacolas no carro, pega essas aqui que você fez eu deixar cair, por favor.
-Tudo bem, dona estressadinha! –ele diz zombando de mim e levando as sacolas pra cima da bancada-
-Olha a intimidade hein –digo indo pra garagem e escuto ele dar risada- Pego as últimas sacolas e travo o alarme do carro.
-Mas afinal, o que você está fazendo aqui? –pergunto a ele- Eu nem me lembrava de você, quando foi a última vez que você esteve aqui mesmo?
-Pois eu me lembro de você, eu te joguei na piscina no dia do teu aniversário de 12 anos. –ele da uma risada nasalada e eu franzo a testa, logo me lembro e dou risada também- A última vez que eu vim pra cá, você estava em Londres, nós nos desencontramos!!
-Ah é verdade, eu lembro que eu cheguei e meu quarto estava totalmente desorganizado... –disse fazendo careta-
-Ei, não tava tão bagunçado assim, você esta me ofendendo! –ele disse fazendo careta e revirando os olhos-
-É tava tão arrumadinho, que eu encontrei chiclete grudado na minha banheira. –disse e dei uma olhada com o tédio estampado na minha cara-
-Mas e aí, como vai a vida? –diz ele mudando de assunto-
-Muito bem até agora, só trabalho e faculdade! –respondo pegando um pacotinho de biscoito da sacola, desço do banco, indo em direção à geladeira- E você? Como estão as coisas em Atlanta? –abro a geladeira e me abaixo, ficando de costas para ele.
-Ah, tudo numa boa, estou a trabalho aqui –ele diz e logo após da uma pausa ele prossegue- e você hein, continua uma gata! –ele diz entortando a cabeça pra me observar melhor-
-E você o mesmo cara-de-pau! –digo pegando o leite e indo em direção a mesa da copa, ele ri e eu reviro os olhos- Quanto tempo você vai ficar? –coloco o leite no copo e adiciono achocolatado-
-O tempo que for preciso, tenho algumas coisas pra resolver por aqui –diz ele, todo misterioso- nesses últimos meses eu vim aqui umas duas vezes, porém nunca tive a oportunidade de vir visitar meu pai e a tia Eliza.. –ele diz bebericando a cerveja- Ei, não exagera nos biscoitos, se não vai engordar e perder esse corpinho maravilhoso –ele diz me olhando comer e com uma expressão maliciosa no rosto.
-Vai se ferrar Dallas. -digo e desço do banco e vou pra sala, sento no sofá e ele logo senta ao meu lado.
-Minha mãe mandou lembranças...-ele diz.
-Mande à ela também. Agora se você não se importa eu vou subir, imprimir meu trabalho e descansar um pouquinho -digo.
-Tudo bem! Eu vou ficar por aqui mesmo, assistindo televisão. -ele diz e pega o controle.
-Ok. -disse e fui pra cozinha, coloco o copo na pia e subo pro meu quarto. Tiro meu blaizer e jogo meu sapato no primeiro lugar que eu vejo, vou em direção ao meu notebook. Reviso meu trabalho e passo-o para um pendrive. Saio do meu quarto e vou pro escritório da minha mãe. Ligo o computador e conecto meu pendrive, mando o trabalho pra impressora e a mesma imprime as 15 páginas rapidamente. Quando vou pra desligar o computador, uma janela se abre automaticamente, eu não resisto e acabo lendo:
''Cuidado, seus dias estão contados. Aqui se faz aqui se paga!'' R.M
Quem será RM? Será que é quem eu estou pensando? Não. Não pode ser. E se for? O que ele quer com a minha mãe? Já que o anexo está no e-mail da minha mãe... O que será que ela esconde? Tenho muitas perguntas pra fazer pra ela.. Essas perguntas tem que ter respostas, e eu acho que mereço saber, afinal já se passou 10 anos. Amanhã eu vou ter uma conversa muito séria com minha mãe, e nela vou tocar no assunto sobre o meu pai, doa o que doer. E se ela tentar fugir do assunto eu não vou deixar. É como uma ferida não cicatrizada, se cutucar, dói. Eu não culpo minha mãe por tentar esconder o passado, mas eu não entendo..
-No que tanto pensa? -me assusto com a voz e desligo o computador com o pé, logo escurecendo a tela. Olho para a porta e vejo Cameron encostado no batente da mesma com a mão no bolso- Desculpa se eu te assustei princesa, não foi minha intenção!
-Na vida e como tudo é confuso -ignoro o princesa- Entra aí!
-Pois é, tudo muda rapidamente -ele se senta no sofá que havia ali e continua- não da tempo de nada, a gente se surpreende muito. -ele diz com um ar de mistério. Ta isso estava realmente ficando estranho. Parece que ele queria me dizer alguma coisa, eu sei lá o que. Eu fico em silêncio por um breve momento, quando começa à tocar She Look So Perfect, no último volume, dou graças à Deus por ter uma desculpa pra poder abrir a boca.
-Oh sua cuzenta, vamos sair hoje de noite? -Stephani diz toda animada. Ou melhor grita, pra eu poder escuta-la, no fundo estava tocando uma música. Justin Bieber, só podia. Essa menina e a Isabelle, nunca vi igual. Duas fãs malucas.
-Ta bom, mas só depois das 8, tenho que ir na universidade entregar um trabalho, e fazer uma prova. Provavelmente saio depois das nove, ai eu passo na tua casa.-praticamente grito pra ela poder escutar- Abaixa esse som Stephani!
Ouço ela bufar. -Pronto ''mamãe'', ta ok, tchau! Boa prova, cuzenta.
-Beijos.
Olho para o sofá e Cameron não está mais lá, aonde será que ele se meteu?? Dou de ombros e subo pro meu quarto. Coloco meu trabalho na escrivaninha e tranco a porta. Pego meu celular e coloco meus fones. Deito na minha cama e durmo escutando Summer Love, de uma banda que eu acompanho desde a minha época de adolescente.

Sinto um baque. Eu havia caído? Sim, nossa Jasmine, você é tão inteligente que faz burrada até dormindo, penso comigo mesma. Olho pro relógio do criado-mudo e quase caio de novo 18:30, corro pro banheiro e tomo um banho rápido. Seco meu cabelo e prendo ele em um rabo de cavalo, coloco uma calça de couro de cintura alta e uma blusa branca com uns desenhos abstratos em letreiro preto de mangas curtas, coloco umas pulseiras pretas e uma sapatinha preta. Passo uma maquiagem leve, marcando levemente os olhos e um batom nude. Checo se o meu trabalho está dentro da minha bolsa, assim como dinheiro, celular e documentos, pego as chaves e saio do meu quarto. Passo pela cozinha praticamente voando, de canto de olho observo Cameron entretido em alguma coisa no celular, mas ignoro sua presença. Pego um pedaço de torta de dentro da geladeira, esquento e como o mais rápido possível.
Saio do meu condomínio e vou em direção à faculdade. Levo uns 20 minutos pra chegar lá, bati meu recorde.
Entro na ampla e branca sala e logo atrás de mim o professor entra, já dizendo:
-Quero os trabalhos em cima da minha mesa, agora. Já entrego o meu e sinto como se um peso fosse retirado das minhas costas. Vou em direção à minha mesa e antes de chegar e sentar, sou impulsada ao chão por uma força desconhecida por mim. Levanto com dificuldades e bato as mãos nas pernas limpando qualquer vestígio de sujeira, tentando ainda entender o que houvera acontecido, olho pros demais alunos e eles estão sem reação também. Do nada soa a voz do diretor da universidade nos auto falantes que há ao decorrer da minha ala da instituição.
''Queridos universitários, não se assustem já está tudo bem, a ala laboratorial e a de procedimentos cirúrgicos infelizmente pegou fogo.-posso notar que todos estão de boca aberta- O barulho que vocês escutaram, foi que a principal coluna do teto do laboratório 2 (um dos principais da minha turma) caiu, e está dificultando a passagem dos bombeiros. Até agora só foram encontradas dois corpos, e duas vítimas gravemente feridas, elas já foram encaminhadas pro hospital. Devido ao provável grande estrago que a ala laboratorial sofreu, temos que entrar em reforma urgentemente. Entraremos em contato com cada um de vocês, provavelmente vocês terão as férias adiantadas ou terão um mês à mais de férias. Perdoe-nos o transtorno, a equipe de bombeiros pedem à todos calma e que saiam pelo lado da direita e prossigam em fila única para o hall de entrada e logo depois serão liberados. Uma ótima noite á todos!''
Meu Deus, duas pessoas foram mortas e ele conseguia passar esse lado de frieza e tranquilidade pra nós. Eu não sei como seria minha reação se eu estivesse no lugar dele.
-Vamos lá, alunos vocês escutaram bem o que o nosso diretor disse, peguem os seus pertences e saiam em fila única. Pego meus materiais e minha bolsa e sou a última à sair, seguida pelo professor, logo eu vejo ele marcar um ''x'' na porta, que pelo meu pouco conhecimento e experiência sobre esse assunto, é pra avisar que não tem ninguém mais na sala. Dirigimos até o hall de entrada e após preenchermos uma ficha, alegando que estamos bem, e nada nos houvera acontecido, somos liberados. Olho pro relógio e ainda são 19:10hrs, ligo pra minha mãe, pra avisar que estou bem, e já havia mais de 10 ligações dela, to ferrada.
-Filha como você está? Quebrou qual perna? Se machucou de mais? Você ta bem? -ela faz essa série de perguntas e não dá espaço nem pra eu poder responder.
-Calma mãe, eu estou bem, o incêndio não foi na ala ao qual eu me encontrava, eu só levei um tombo pelo impacto da explosão mas eu estou viva, calma. Aliás, como a senhora soube do incêndio? -pergunto à ela e posso ouvi-la suspirar demonstrando alívio.
-Ai que susto, eu achei que tinha acontecido alguma coisa de ruim com você, tu sabe né? Coração de mãe, sente quando um filho está em perigo. -ela diz e logo prossegue- Deu na tevê, todos os canais estão falando sobre isso. Você vai vir pra casa? -ela pergunta.
-Ah sim.. Não mãe, eu vou pra casa da Stephani, vou me trocar lá e sair hoje um pouco, faz tempo que eu não saio pra espairecer com as minhas amigas. Vou tentar esquecer esse susto. -digo.
-Okay filha, mas tome cuidado e não chegue muito tarde em casa. Se for dormir na Ste, liga avisando. Beijos te amo! -diz ela.
-Tudo bem. Beijos, eu também te amo! -desligo o telefone e vou em direção ao estacionamento.
Chego na casa da Stephani e conto tudo o que aconteceu hoje, incluindo à chegada inesperada do meu ''irmãozinho''. Ela briga comigo por não ter ligado, outra que ficou preocupada em relação ao incêndio.
-Nossa, nós ficamos conversando e nem vimos o tempo passar, anda logo, vai se arrumar logo, se quiser tomar banho no banheiro tem toalhas e o meu closet está a sua disposição. -ela diz pegando o secador e escovando o cabelo.
-Tudo bem mamãe. -digo rindo e ela faz uma careta.
-Hoje a noite promete!! -ela diz e eu vou pro banheiro rindo dessa expressão, ô se promete! -penso comigo mesma.
CONTINUA...

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